DE DESEMPREGADO A BILIONÁRIO: A INCRÍVEL SAGA DE GUILHERME BENCHIMOL

CRIAR UM IMPÉRIO A PARTIR DO NADA, SOA ATÉ COMO UM CLICHÊ NO MUNDO DO EMREENDEDORISMO.


A XP Investimentos, ou XP Inc em sua denominação atual (pós IPO), foi fundada por Guilherme Benchimol e Marcelo Maisonnave em um minúsculo escritório na cidade de Porto Alegre em 2001. A ideia inicial era só oferecer cursos para pessoas físicas sobre como investir na bolsa. No fim acabou se tornando em um verdadeiro império financeiro, atuando como corretora, banco, seguradora, rede de agentes autônomos, wealth management, portal de notícias e outros mais.


Mas lá em 2001 tudo isso era pouco factível. Guilherme era recém graduado em Economia pela UFRJ, e estava trabalhando em uma pequena corretora no Rio de Janeiro. Tudo parecia normal até que um dia Benchimol recebeu uma terrível notícia: a corretora havia cortado todo o seu departamento. Assim, estava desempregado.


“Gente boa nunca é demitida”. Essas eram as palavras do pai de Benchimol na época, e que tiveram profundo impacto em sua carreira. Com vergonha de contar ao pai sobre sua demissão, o jovem decidiu sair do Rio de Janeiro e recomeçar a vida na cidade mais longe possível. Porto Alegre foi a escolhida.


No Sul Guilherme tinha de agir rápido. Tinha que criar algo ou arrumar um emprego. Assim, conheceu Marcelo Maisonnave e os dois criaram um escritório de agentes autônomos destinado a ajudar pessoas comuns a investirem.


Desse modo, nasceu a XP Investimentos em uma pequena sala de 25m2, com computadores comprados de uma lan house e uma estagiária. A estagiária, Ana Clara, inclusive, começou a namorar com Guilherme e os dois se casaram posteriormente.


O início do novo empreendimento foi bastante conturbado, especialmente pela crise no mercado brasileiro de ações em 2002. Assim, a dupla teve que “pivotar” o negócio logo de cara, e passou a oferecer aulas sobre mercado financeiro para seus clientes.


O novo modelo de negócios, somado a uma melhoria no mercado acionário, fizeram a XP crescer progressivamente como educadora e agente autônomo. No entanto, essa era a hora da empresa alcançar novos patamares, e virar uma corretora foi o caminho natural.


Com isso em mente a XP adquiriu e incorporou a corretora Americainvest, passando a atuar nesse setor, deixando suas atividades como agente autônomo. Entretanto, a crise financeira em 2008 veio como um trem.


Assim como em 2002 a XP tinha que ser reinventar. Agora, eles tinham uma clara inspiração: a Charles Schwaab. A corretora norte-americana se notabilizou como um “shopping financeiro”, oferecendo ativos das mais diferentes classes para seus clientes. Esse modelo se contrapõe às corretoras tradicionais ligadas aos bancos, que oferecem apenas fundos e ativos próprios.


O novo modelo foi um enorme sucesso, levando a XP ao formato que conquistou milhares de clientes no Brasil inteiro. A partir disso, vieram algumas aquisições de corretoras rivais, comerciais com artistas da Rede Globo e um crescimento exponencial.


Entretanto, nem tudo foram flores nesse gigante crescimento que a XP experimentou. Conflitos internos levaram à diluição societária de Marcelo Maisonnave, que, insatisfeito, deixou a empresa. Guilherme e Marcelo nunca mais se falaram.


Outro conflito relevante foi a diluição de Ana Clara, que não estava trabalhando por conta de sua gravidez. Guilherme, futuro pai da criança, não queria mostrar aos sócios que Ana possuía privilégios por ser sua esposa, diminuindo sua participação na sociedade. Ana também saiu da XP, e até se divorciou de Guilherme. Os dois acabaram se reconciliando, mas nunca mais trabalharam juntos.


Entretanto, para a XP nada disso interessava. Seu crescimento era imenso, e um império estava sendo construído. Isso obviamente chamou a atenção de grandes players do mercado financeiro, incluindo o poderoso Itaú Unibanco.


“Se você não pode vencê-los, junte-se a eles” diz uma frase popular. E foi exatamente assim que o Itaú pensou em 2017 ao desembolsar 5,7 bilhões de reais para adquirir 49,9% da XP Investimentos. Agora, o céu era o limite.


Bancados pelo maior conglomerado financeiro da América Latina, cheios de dinheiro no caixa e com muitos clientes; a XP continuou sua larga expansão com Guilherme Benchimol no comando da empresa. A partir disso, a XP passou a atuar no ramo de seguros, wealth management e até mesmo criou um banco próprio.


Para dar mais fôlego à sua expansão, em 2019 a XP realizou um muito bem sucedido IPO na Nasdaq. Tudo que era irreal está consolidado, e a XP é precursora nesse mercado e um dos principais personagens da enorme crescente de investidores na bolsa brasileira.


E pensar que tudo isso aconteceu só porque Guilherme fugiu para Porto Alegre, tendo na mente a ideia de que “gente boa nunca é demitida”. Desde então, Benchimol e seus sócios criaram uma das empresas mais disruptivas da história do Brasil, em um dos mercados menos competitivos e mais fechados. Nada mal.