POR QUE A ESTÔNIA É O PAÍS DO FUTURO?

Como a “e-Estônia” construiu um governo e uma sociedade digital?

“Chamados de a sociedade digital mais avançada do mundo por muitos, os engenhosos estonianos são desbravadores, que construíram um ecossistema eficiente, seguro e transparente que economiza tempo e dinheiro” diz o site do governo estoniano na sua página inicial.

Mas quais os caminhos que levaram aos impressionantes feitos? Existe influência histórica nessa "virada digital"? Qual o teto para a Estônia?

Contexto Histórico


A Estônia é um pequeno país na parte norte da Europa, que conquistou novamente sua independência após a dissolução da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) em 1991, e que desde lá se transformou em uma segura, conveniente e flexível sociedade digital com enorme ajuda do poder da internet. A comumente chamada de e-Estônia, tem apenas 1.3 milhão de habitantes e tem como sua capital a cidade de Tallin.


A Estônia tem sido o mais bem sucedido dos antigos países controlados pelos comunistas. Os estonianos agora têm Estado de Direito, a relação dívida/ PIB mais baixa da União Europeia, um orçamento equilibrado, o livre comércio e um imposto de renda fixa. Os estonianos atualmente estão em 22 de 152 países no Índice de Liberdade Humana, número 8 de 186 economias no Índice de Liberdade Econômica, e estão na categoria número 1 no relatório Liberdade no Mundo.


A tardia independência em 1991 e os impasses geopolíticos com a URSS talvez sejam principais motivos da digitalização da sociedade estoniana, visto que na maioria dos países existe uma relutância por parte dos governos com novas tecnologias, fazendo com que a parte digital fique majoritariamente no setor privado.


As dimensões territoriais, populacionais, o atraso no processo de independência e o peculiar ambiente social, político e cultural herdados pelos conflitos e divisões soviéticas fizeram com que houvesse uma tomada de medidas diferentes por parte do governo. A recém formada nação não possuía recursos para criação de um sistema completamente autônomo e burocrático como em outros países europeus.


Essa necessidade de resposta para compor um sistema e o desenvolvimento de um país foi a perfeita justificativa para os investimentos em data (dados) e tecnologia da informação. Durante os 6 subsequentes anos após a conquista de sua autonomia o governo, em 1997, introduziu o “e-government”. A escolha pela digitalização tem outras heranças históricas, uma vez que todos os antigos países comunistas foram atormentados pela corrupção do sistema soviético. Com a utilização de serviços digitais, existiria uma redução de relações pessoais, dessa maneira, a possibilidade de suborno e outras práticas corruptas seriam menores.



Sociedade Digital


Seja em serviços públicos, saúde, impostos, voto, identidade digital, residência, blockchains, economia, manufatura, etc, na Estônia tudo é digital. Fato que direta e indiretamente fazem com que tudo seja mais rápido, prático, eficiente e menos burocrático, reduzindo custos e tempo para todos.


Hoje em dia 99% dos serviços públicos são disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana. 30% dos estonianos usam o “i-voting” (mecanismo de voto digital), e há uma estimativa por parte do governo que a redução burocrática salvou aproximadamente 800 anos de tempo de trabalho. Todos os 1.3 milhão de cidadãos da Estônia possuem a identidade digital, que os permitem utilizar todos os serviços públicos, desde bancos até sistema de saúde.


Devido ao cenário macroeconômico, social, e totalmente voltado para o digital, foi se criando um ótimo ambiente para a fomentação das startups. Por muitos considerada o “Vale do Silício” Europeu, a Estônia teve no ano de 2018 os exorbitantes números de 550 startups e um crescimento de 30% anual no setor. Atualmente, o país possui 4 empresas unicórnios (startups com o valuation de 1 bilhão de dólares ou mais), sendo uma delas a rede social Skype.


A parte de sistemas digitais governamentais, a Estônia também desenvolveu sistemas de tecnologia que aumentaram a acessibilidade e eficiência em saúde, educação e segurança, fazendo o dia a dia melhor. Desde 2008 95% dos dadosa “data” geradosa por médicos e hospitais foram digitalizadoas, tornando os pacientes donos dos seus diagnósticos e possibilitando médicos concluírem análises de qualquer lugar do mundo.


O campo de educação não foge da era digital, são utilizados mecanismos modernos e digitalizados para potencializar o aprendizado e ensinamento de vários modos, desde o material digital utilizado por crianças até o método de ensino em faculdades.


Para manter a segurança dos cidadãos de maneira eficiente empregados do sistema de segurança usam sistemas digitais para reportar crimes e acidentes. No ano de 2018 foi atingido o número de 35% de vítimas de acidentes remotamente encontrados pelo sistema de tecnologia. Na Estônia policiais não podem parar carros em vias comuns, já que todos os dados dos veículos e condutores estão à disposição dos policiais no sistema, o que resultou em uma eficiência de 50 vezes maior na apreensão de infratores.


Posterior aos ótimos resultados em segurança, saúde e educação advindo majoritariamente da digitalização dos sistemas, o governo estoniano planeja transformar todos os sistemas básicos em digitais.


Proximos Passos


A Estônia pretende a criação de uma embaixada digital, para que o estado estoniano continuasse operando sob condições onde seus “data centers” locais fossem interrompidos ou perturbados devido a um desastre natural, ataque cibernético em grande escala, falta de energia ou outra situação de crise.


Além deste projeto a Estônia pretende criar o “report 3.0”, que tem como objetivo reduzir a carga sobre os empreendedores da submissão obrigatória de dados às instituições estaduais, mostrando mais uma vez o olhar voltado para as startups.


A saúde obviamente não foge dos planos governamentais, uma vez que existe o desejo de expansão dos dados dos cidadãos hospitalizados. Assim, poderiam aumentar a utilização de inteligência artificial para realização de cirurgias e outros procedimentos.


Os planos pretendidos à indústria são extremamente animadores, como a chamada “Real Time Factory” ou “Indústria 4.0” que, como o nome sugere, permitem que os gerentes acompanhem os principais indicadores de desempenho em tempo real, mostrando onde as melhorias podem ser feitas e permitindo que toda a fábrica opere como um sistema integrado.


As intenções estonianas são bem claras, desde as medidas tomadas até ao que é esperado para o futuro, a sociedade digital foi a saída que o governo enxergou para facilitar a burocracia governamental e o processo de desenvolvimento do país. Todos os processos históricos e todo aspecto cultural foram meticulosos com ampliação dessa nação, tornando isso um aspecto especial do país.


Replicar o resultado e modelo digital apresentado na Estônia é algo bem difícil pela variedade e aleatoriedades imensuráveis de motivos. Sejam pelos impasses pelo qual o país passava quando decidiu se tornar digital, seu crescimento, sua história, como se estruturou, como a sociedade era composta socialmente, ou talvez por ter uma área total igual a do Estado do Espírito Santo e uma população menor que a metade deste eEstado. Apesar disso, em um mundo que tange uma era digital, temos muito a aprender com essa nação europeia que nos dá um belo panorama de como o futuro pode parecer.

22 visualizações