POR QUE NÃO EXISTEM MCDONALD’S NA ISLÂNDIA

SE HOUVESSE UMA PERGUNTA SOBRE UM PAÍS QUE O MCDONALDS FALHOU, ONDE VOCÊ IMAGINARIA? ISLÂNDIA PASSARIA NA SUA CABEÇA?


Quando você pensa em fast-food provavelmente McDonalds é o primeiro nome que lhe vem à cabeça, certo? A marca tem restaurantes em mais de 100 países e é a dissipadora de um conceito muito famoso nos EUA desde 1950. Mas existe um país na Europa em que o McDonalds falhou: a Islândia.


O McDonalds tentou por 15 anos dar certo na Islândia, mas em 2009 as franquias fecharam os últimos três restaurantes sem planos de voltar. Como isso foi possível?


A Tempestade Perfeita


Vamos voltar para quando o McDonald’s entrou no mercado islandês em 1993, quando a isolada ilha estava transicionando para uma economia de livre mercado, se tornando mais globalizada.


Foi em uma simples foto do primeiro ministro, David Atson, dando uma mordida em um hambúrguer do McDonald’s que o povo islandês viu a entrada de seu país em um mundo moderno e globalizado. A população abraçou a rede de “fast food” pois sua instalação no país negava o status isolado e nacionalista da ilha.


O problema chegou em 2008, quando a crise financeira global atingiu o pequeno país de pouco mais de 300 mil habitantes, destruindo sua economia e obrigando-a a receber um pacote de ajuda internacional de 10 bilhões de dólares.


O mercado de ações quebrou, seus três principais bancos também, e quase todos os negócios do país declararam falência. Muitas pessoas perderam suas economias e empregos, levando o país a uma série de protestos.


A moeda islandesa perdeu quase metade de seu valor, elevando tarifas, o que significava preços mais caros de importação. O que dificultou para marcas estrangeiras que eram dependentes de importação manter sua margem de lucro sem aumentar drasticamente os preços.


Fora o âmbito macroeconômico, o McDonald's culpou a "complexidade operacional única" de fazer negócios em uma nação isolada. Dado o baixo número populacional, seria difícil conseguir garantias e escalar o negócio, impossibilitando o barateamento de custos. De acordo com o dono dos McDonald’s da Islândia, a franquia importava seus ingredientes crus da Alemanha.


Em uma conversa com a mídia, Jon Ogmundsson, dono das franquias do McDonald's na Islandia, disse que os preços saíram tanto do controle que para um quilo de cebola importada da Alemanha, ele estava pagando o equivalente a uma boa garrafa de whisky.


Para a rede se manter no país, o preço do lanche Big Mac subiria 20%, tornando o mais caro do mundo na época.


No ano de 2009 a franquia anunciou que estaria fechando as últimas lojas culpando o alto valor de operação.


Concorrência no Setor


Esse período marcou a época em que muitos negócios que possuíam operação parecida com a do McDonalds, dependente de ativos estrangeiros, saíssem da Islândia. Como no caso dos rivais Burger King e Pizza Hut.


Um importante fato para a saída das redes de fast-food foi a competição dura com restaurantes islandeses que tinham a produção interna de seus ingredientes.


Depois que as franquias do McDonald’s foram fechadas, seu nome e símbolo foram trocados para uma nova empresa chamada Metro. A nova rede de hambúrgueres usa produtos locais para manter os preços mais baixos e continua operando até os dias de hoje.


É importante mencionar que nem todas as redes de fast-food que tinham operações parecidas com a do Mcdonalds desabaram frente a crise. KFC, TGIF’s e Taco Bell não fecharam por exemplo. A explicação é simples: as empresas que apresentaram planejamento a longo prazo e boa administração se mantiveram.


Fecharam para nunca mais voltar?


A economia islandesa vem crescendo e provando ser um lugar atrativo para fazer negócios. De acordo com o Índice de liberdade econômica, que olha a liberdade de investimento e negócios, a Islândia está em quinto dentre os países europeus. Além disso, a ilha vem sendo um dos destinos mais procurados por turistas recentemente, tendo o número de visitantes quadruplicado desde 2010.


Com a economia a todo vapor, setor do turismo extremamente rentável e redes de comida lotadas como nunca antes, talvez exista a possibilidade da maior marca de fast-food do mundo voltar a região nórdica. Veremos também se a mega empresa aprendeu com seus erros crassos.


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