POR QUE O ARSENAL NÃO FAZ GRANDES CONTRATAÇÕES?

Enquanto seus rivais contratam Van Dijk e Bernardo Silva, Arsenal se contenta com contratações como David Luiz e Dani Ceballos

Conhecido mundialmente, o Arsenal FC é um dos principais clubes da Premier League, com um passado não tão distante muito vitorioso. Entretanto, seus torcedores têm se acostumado a não disputar títulos ou mesmo fazer grandes campanhas. Muito desse problema possui uma fonte bem clara: baixo investimento.


A mídia inglesa vem reportando que o orçamento de transferências do Arsenal na atual janela seria de apenas 40 milhões de libras (apesar da contratação de Pepé, como será explicado). A título de comparação, o Manchester City gastou 62 milhões de libras apenas no volante Rodri, vindo do Atlético de Madrid; enquanto o Man United contratou o lateral Wan Bissaka por 50 milhões de libras

Mas o que explica essa distância para seus rivais?


Receita x Despesa

Um dos principais problemas é a estagnação das receitas desde 2015, agravado principalmente pela não qualificação para a Champions League, sendo uma enorme fonte de receita para qualquer clube.

A Champions League paga ótimos prêmios para quem avança na competição, assim como possui direitos de transmissão bem altos. O número de jogos em casa também aumenta, que contribui para maiores receitas.


Um estudo da consultoria britânica Deloitte, o famoso “Football Money League”, vem demonstrando um pouco do arrocho financeiro que acomete os Gunners atualmente, conforme pode ser visto ao lado.


No campo das despesas há outro fator importante: o alto volume de recursos usados para o pagamento de dívidas. Conforme concluiu um estudo da Arsenal Supporters Trust: “O Arsenal está com o caixa apertado, pressionado pelo Fair Play Financeiro e sobrecarregado com dívidas de 200 milhões de libras, em que custaria 250 milhões de libras para refinancia-las."


A perspectiva é bem clara, já que por um lado há uma estagnação de receitas e pelo outro há um gasto grande com obrigações financeiras. A conclusão lógica é que sobra pouco dinheiro em caixa para investimentos em futebol. Nesse cenário, o Arsenal poderia (i) aumentar suas receitas ou (ii) diminuir seu endividamento.


Aumentar as receitas vem sendo feito, especialmente através do novo patrocínio da Adidas, que irá pagar 300 milhões de libras nos próximos 5 anos. No entanto, fica difícil aumentar a entrada de recursos significativamente fora da Champions League. Assim, depender só dessa vertente seria complicado para melhorar a situação financeira do clube.


Além disso, o endividamento acaba tirando muito dinheiro que poderia ser gasto com o futebol. Essa realidade só poderia se modificar caso houvesse uma reestruturação desse passivo do clube, que novamente esbarraria na falta de recursos.


Um bom exemplo do arrocho financeiro dos Gunners é sua maior contratação da última janela, o marfinense Nicolas Pepé. A etiqueta de 72 milhões de libras poderia até enganar quem imagina que o Arsenal agora tem dinheiro para contratações, mas como vem reportando a mídia inglesa, a diretoria tomou um empréstimo para pagar o atacante.


Perspectivas nebulosas


Nesse cenário obscuro parece haver apenas uma saída para as finanças do Arsenal: novos investimentos serem feitos por seus acionistas, e/ou por novos acionistas. Mas como nada é fácil no norte de Londres há um outro problema, dessa vez político.


Atualmente, o Arsenal é de propriedade da Kroenke Sports Enterprises (KSE), empresa do bilionário americano Stan Kroenke.


Até poucos anos atrás a estrutura societária do clube era bem mais diversificada, possuindo diversos acionistas; incluindo o Arsenal Supporters Trust, formado por centenas de torcedores, que possuía cerca de 13% de participação. Em 2018, após aquisições e uma saída forçada dos acionistas minoritários (Squeeze Out), a KSE se tornou a única proprietária do clube, para desespero de seus torcedores.


Desse modo, o único caminho possível seria a KSE aportar novo capital no clube, ou emitir novas ações para novos investidores. Entretanto, não há nenhum sinal de que isso irá acontecer.


Até que se dê um jeito na composição acionária no clube, ou que o dono mude sua postura, o torcedor do Arsenal pode se acostumar em comemorar contratações menos badaladas.

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